Cenas de um cotidiano norótico - parte 2

10, Julho, 2008

Passeando pelo centro da cidade, aproveitando os 15 dias de férias, entrei numa dessas lojas de departamento, certa que o simples ato de fazer compras e detonar o meu cartão de crédito me tiraria da depressão e da tristeza que me consome nos últimos dias.
Assim que entrei, ví uma bota linda, uma calça jeans que aparentemente tinha o meu número e um sobretudo jeans que eu paquero a anos. Parecia que sorte ia mudar.

E a certeza dessa mudança chegou quando a atendente se aproximou. Parecia uma visão, sim, uma enviada dos céus para me tirar de todo esse sofrimento, com seu sorriso calculado e sua camiseta:

Meu Deus! Era tudo o que eu precisava, enfim!! Alguém disposto a me ajudar e eu nem precisaria pedir ajuda (isso pode ser humilhante)…
Olhei bem para aqueles olhos, que pareciam ávidos para qualquer tipo de resposta minha e disse:
-SIM!! SIM!! VOCÊ PODE ME AJUDAR QUERIDA!!!

Ela pareceu ficar ainda mais feliz, anotou as minhas medidas, o tamanho de calça, blusa, meia calça, calcinha e sutiã que eu uso e fomos derrubar araras e mais araras de roupas.
Enquanto eu experimentava, tirava e colocava as roupas, ia contando para ela todo o meu sofrimento, tudo aquilo que estava me deixando louca, todos os meus problemas. Incrível que eu tinha a impressão de que falava sozinha, tamanho o silêncio dentro daquele provador e agora, pensando um pouco melhor, lembro de ouvir algumas risadinhas durante o meu relato emocionado. Acho que eram risos de júbilo e gozo da atendente, por estar ajudando alguém. Que alma iluminada!!

Tudo o que eu provava ela me dizia que tinha ficado lindo, a calça emagrecia, o sutiã levantava os peitos, a calcinha combinada com a calça me deixavam com uma bunda linda e como é que eu vivi até hoje sem aquele sobretudo que era o último grito da moda?

Levei tudo, fui comprando, comprando, estourando o meu limite de crédito, acabando com o dinheiro reservado para pagar o carro, o amassado no porta malas que eu fiz quando bati, com o dinheiro que eu tinha separado para viajar, mas valia a pena! A minha mais nova e fiel amiga me falava o quanto eu estava linda e que com essas novas roupas todo mundo ia me amar, os homens não resistiriam ao meu charme (fiquei em dúvida se eles agiriam assim quando eu não estivesse usando as roupas novas, mas fiquei com medo de perguntar e magoar a minha amiga nova), eu teria uma promoção no emprego, conheceria pessoas novas e que me amariam, ELAS ME AMARIAM, ENFIM!!!!

Saí da loja com sacolas e mais sacolas, me sentindo tão feliz, tão plena!
Chegando em casa, fui correndo para o meu quarto colocar as roupas e fazer um mini-desfile para as pessoas na sala de casa, para que experimentasse neles as reações que a minha amiga disse que eu causaria.
Estranhamente, a calça não ficou assim tão boa no espelho de casa. Parecia marcar umas gordurinhas extras, no espelho da loja não tinha ficado assim… Mas tudo bem, sorriso na cara! As pessoas vão me amar!
Vesti o sobretudo, ele não fechou o botão perto da barriga.. Hum… Será que isso era ego inflado? (risos desesperados). A bota estava um pouco apertada, eu nunca conseguiria andar com aquela altura de salto agulha, sem chance!

Comecei a sentir uma fisgada de dor… Ela mentira para mim.
Tentando dar a volta por cima, saí rebolando do quarto, entrei na sala jogando o cabelão e falando, confiante:
“- E AE, PESSOAS? SE APAIXONEM POR MIM!”
Realmente, eles reagiram bem. Super bem. Ficaram felizes, eu percebi. Risos descontrolados explodiram na sala, meu tio quase caiu da cadeira, minha mãe teve cãimbra no abdômen e até mesmo a poodle parecia gargalhar me olhando com sua indiferença sonolenta.
Quando os risos não mais cessaram eu percebi que alguma coisa estava errada. Eles não riam PARA MIM. Eles riam DE MIM.

E essa foi a primeira vez que o simples ato de fazer compras não me tirou da depressão.
De volta para o pijama e para a cama, que no final das contas, é lugar quente.


Odeio!

6, Julho, 2008

Pior do que o inchaço e eventuais cólicas, a maldita TPM me faz pensar que ainda tenho um coração.
Larga mão menina!


Cenas de um cotidiano norótico - parte 1

4, Julho, 2008

Todos os dias vindo trabalhar passo por um carro estacionado com vários adesivos “Quer emagrecer? Pergunte-me como!” e sempre fico tentada a parar e perguntar.
Hoje, vindo para cá, passei por ele e, como tinha pouca gente na rua, parei. Olhando para os lados para ver se não tinha nenhum conhecido, coloquei as mãos nos bolsos e me aproximei do carro perguntando baixinho:
“- Como?”
Silêncio do outro lado. O carro parecia não ter me ouvido.
“-Como?” - repeti, um pouco mais alto.
Nada. Estava sentindo o rosto corar, algumas pessoas já paravam com suas atividades matinais para ficar me olhando…
“- COMO?” - Gritei, num misto de vergonha e desespero por não ser ouvida.
Nada… Aquele maldito Gol adesivado se mantinha em silêncio e eu já era capaz de dar a minha vida por essa resposta.
C-O-M-O, PELO AMOR DE DEUS!!!!!!!!! ME RESPONDE MALEDETOOOOO!!!!!!”
E, num surto motivado pelo desprezo do carro, pela importância que essa resposta teria na minha vida, pela vergonha que eu sentia perante aos passantes que já paravam para ver, apontar e rir das minhas perguntas, peguei um pedaço de pau e comecei a quebrar vidros, para choques, retrovisores, painel, arranquei com os dentes todos os adesivos do carro, batia a cabeça contra o capô repetidas vezes.
Nisso reparei que os curiosos que estavam parados começaram a correr, uma mulher grávida começou a chorar, um executivo gay repetia “MEO DEOS, MEO DEOS”, um jovem nerd gravava com o seu celular e ria, dizendo “HAHAHA, VOU UPAR NO YOU TUBE E COLOCAR NO MEU BLOG! VOU FATURAR COM O ADSENSE!”.

Quando finalmente me acalmei, saí rebolando e jogando o cabelão, entrei no meu carro e passei numa farmácia. Me pesei e ali estava: 100 gramas a menos!!! Era essa a resposta!!! Uau! Nada como um exercício físico logo pela manhã!
Amanhã preciso procurar outro carro.

Em breve, novo episódio.

ps. 1: Infelizmente, isso é ficção. No stress que eu ando seria bem legal quebrar alguma coisa.
ps. 2: Do jeito que Murphy me ama, é bem capaz que eu engordasse 100 gramas com esse tipo de atividade.


Kut

1, Julho, 2008

Olha só:

Clica pra ver bitelo

Será, gentemmmmm??
Beijos para todos!!


Amores

28, Junho, 2008

Essa busca eterna pelo “ever lasting love” é, no mínimo, interessante.
Tenho um amor especial que carrego cá comigo no coração, onde só eu tenho acesso. Mas nada me impede de me “apaixonar”, cada dia que passa, por um carinha diferente. Não rola beijo, abraço, sexo, nem sequer um toque. De alguns eu nem mesmo sei o nome.

Me apaixonei esses dias pelos olhos azuis de um aluno lá da faculdade que eu trabalho. Além de ser o azul mais bonito que já ví, eram donos de um olhar profundo, penetrante, que parecia enxergar coisas que ninguém devia ver.
Depois foi pelo sorriso de um perfil do Orkut. Lindo sorriso, cativante, dava vontade de sorrir também. Fofo o menino. Até esqueci o nome dele.
Hoje eu me apaixonei pela simpatia, inteligência e educação de um outro cara, que veio trabalhar comigo. Adorável, doce, “uma moça” como dizem alguns.

Essas paixonites vem e vão, duram cerca de 1 dia cada e passam. Mas é divertido comentar deles com as amigas e me enganar, nem que seja por 24 horas, que eu posso me apaixonar de novo.

“Quando eu lhe dizia: - me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse: - eu gosto de você também”

Beijos para todos e bom fim de semana!!!


Small talk

27, Junho, 2008

CVV boa tarde!”
“Oi, e ae?”
“No que posso ajudar?”
“Qual é o seu nome, moça?”
“Fulana, e o seu?”
“Fernanda…”
“Oi Fernanda, como estás?”
“Ixi Fulana, não queria falar sobre isso não…”
“Mas Fernanda, você ligou aqui no CVV para falar dos seus problemas, não?”
“Na verdade, não… Queria fazer amigos”
“Sei. então você tem problemas em fazer amigos?”
“Não. Tenho problema em mantê-los”
“Entendo. Bom, podemos ser amigas então! Sobre o que quer conversar?”
“Não quero conversar, Fulana. Não me leve a mal não”
“O que posso fazer por você, então?”
“Nada, na verdade. Só fica aí. Faz um barulhinho no telefone de vez em quando para eu saber que você ainda se importa comigo. Ou depois de uns tempos de silêncio, me pergunta se eu ainda estou aqui por você”
“Certo”

“Fernanda?”
“Sim”
“Por que você não sai, vai tomar um chopp com os seus amigos, vai ver gente, rir um pouco?”
“Fulana, você pode ser a minha amiga simplemente por mim, sem que eu tenha que lhe parecer brilhante, engraçada, inteligente e útil? Só ficando aqui quieta, sabendo que eu estou triste?”
“Mas Fernanda, você concorda comigo que é complicado criar vínculos de amizade dessa forma?”
“Talvez eu esteja pedindo demais. Tchau Fulana… Obrigada. Valeu pela sua amizade, indepentente do tempo que ela durou”
“Tchau Fernanda.”


ps.1: Essa conversa não existiu, como não existe a Fulana. As únicas coisas reais desse post são o CVV e a Fernanda.
ps.2: Não há tristeza que dure para sempre (assim eu espero).

Beijos…


Agonia

25, Junho, 2008

“Se fosse resolver, iria te dizer
Foi minha agonia…
Se eu tentasse entender por mais que eu me esforçasse
Eu não conseguiria
E aqui no coração eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia… E sem que se perceba
A gente se encontra pra uma outra folia…”

Nossa, me senti muito chateada quando soube do falecimento da Ruth Cardoso. Nunca a conheci nem segui de perto a sua carreira, mas ela transmitia uma imagem de simpatia, não sei…
Estava vendo algumas fotos da sua vida na UOL e tinha imagens com importantes figurões da política, com o Papa, com o atual presidente, rainhas e primeiras damas, enfim… Uma vida toda e de repente aparece a imagem do Fernando Henrique debruçado sobre o seu esquife, se despedindo daquela que foi a sua companheira por mais de 50 anos.

Senti um aperto no peito por ele, por ela, por todas as pessoas que passaram pela minha vida e me deixaram… A nossa vida é tão insignificante, a gente não pode se apegar num futuro que pode nunca chegar…

Péssimo saber o quanto somos pouco nessa vida.
:(

 


=/

25, Junho, 2008

Tô triste pra burro…
Me sentindo inútil, inadequada, sobrando.
:(

será que passa??


Uau!

23, Junho, 2008

Gente, sábado eu realizei um sonho!  Fui ver um jogo do meu Corinthians amado no estádio, em Campinas.
Tudo bem que foi num estádio pequeno, mas ainda assim, foi excelente!

A vibração, a emoção, a sensação de ser parte de uma torcida apaixonada, é indescritível! Cantei, pulei, torci, gritei, xinguei o Juiz (lógico!) e saí de lá muito feliz, contrariando tudo o que falaram que era perigoso, nem com a camisa do meu time me deixaram ir. Hunft.

Que venham próximos e eu vou em outro, muito em breve!!!
Aqui tem um bando de louco!!! Louco por ti, Corinthians!!!  ;)

Segue algumas fotinhas!

 Eu, feliz da vida - e ruiva!

 Torcida linda-maravilhosa

 Verô, Kelly e Eu

Beijos para todos!


Musicando

20, Junho, 2008

Por que?
Porque eu ouvi no rádio uma versão excelente do Erasmo com o Renato Russo dessa música.
Porque eu já pensei em escrever cartas, escrevi e as joguei fora.
Porque eu tô com saudade, me sentindo só pra burro.
Por que?
Por que sim.

A Carta
Erasmo Carlos

Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor
porque veio a saudade visitar meu coração
espero que desculpes meus erros por favor
nas frases desta carta que é uma prova de afeição
talvez tu não a leias, mas quem sabe até darás
resposta imediata me chamando de meu bem
porém o que importa é confessar-te uma vez mais
não sei amar na vida mais ninguém
tanto tempo faz
que li no teu olhar
a vida cor de rosa que eu sonhava
e guardo a impressão
de que já vi passar
um ano sem te ver
um ano sem te amar
ao me apaixonar
por ti não reparei
que tu tivestes só entusiasmo
e para terminar
amor assinarei
do sempre sempre teu

ps.: Decisão não tomada. Ainda… :(