Eu moro em uma cidade do interior de São Paulo chamada Rio Claro.
Ok, eu espero você fazer a conexão, eu tenho certeza que já ouviu falar da minha cidade.
Infelizmente, a maioria das lembranças que irão aflorar na sua mente são escândalos. O andarilho que matava crianças, um famoso caso de suspeita de pedofilia, os casos de estelionato…

Estamos vivenciando mais um escândalo, que na verdade tem como pano de fundo uma tragédia sem tamanho. Todo mundo que tenha sequer ligado a televisão ou acessado os grandes portais desde terça feira está sabendo do caso da menina Gabriela Nunes de Araújo, de 8 anos, covardemente assassinada com um tiro na cabeça durante um assalto à sua casa, num condomínio fechado da cidade, protegido com guarita, câmeras de segurança e alarme.
O autor do disparo que ceifou a vida desse anjinho foi possivelmente um menor de idade, reicidente no mundo do crime, que está foragido, assim como o seu comparsa. 

Assim como toda a população da cidade, estou me sentindo revoltada com essa barbárie e hoje, voltando para casa, ouvi a música “Eyes of Christ“, da banda Angra, no carro. Uma frase dessa música traduziu parte do que eu penso a respeito dessa situação:

‘Eyes of Christ on a devil’s face                           “Olhos de Cristo sobre a face de Satã
Eyes of Christ on a devil’s face                             olhos de Cristo sobre a face de Satã
Wait for your heart to show the way       Espero pelo seu coração para mostrar o caminho
Turn your old mind from flesh to clay            Sua mente envelhece de carne para barro
I beg for a Miracle”                                                 Eu imploro por um milagre”

As fotos desses marginais viraram uma corrente, passando por todos os e-mails da cidade, numa tentativa de auxiliar a localização deles. Quando olhamos para a cara deles, podemos ver a juventude estampada, numa inocência inerente à pouca idade. Naqueles olhos, que tão pouco tempo de vida já presenciaram, brilham a ganância, a maldade. É o olho de Cristo na face de Satã, que a música fala.

Os mesmos olhos que presenciaram a face de pânico da menina, da sua irmã gêmea e da babá, intimidadas na mira de uma arma, dentro da sua casa.
Os mesmos olhos que estudaram friamente a forma mais fácil de invadir a casa de uma família, cobiçando os seus bens.
Os mesmos olhos que são cobertos por tarjas no jornal da cidade.

A cidade clama por Justiça. Faz uma passeata pela paz.
Desculpe, cidadãos rioclarenses. Empunhar cartazes e usar roupa branca não vai trazer a menina Gabriela de volta, não vai fazer com que o Governo tome providências, não vai diminuir a imensa dor no peito dos familiares. E, é bem provável, que encha os olhos desses monstros de uma satisfação por entrar na história do crime da cidade.

Que o espírito dessa criança encontre paz.
Que a família tenha força.
Que os beneficiados pelos órgãos que foram humanamente doados pela família tenham uma vida próspera e saudável.

E que tenhamos todos um pouco mais de segurança.

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