Esse texto foi inspirado num post do Blog do Timão, sobre o meu amado Corinthians.

Paixão é mesmo uma coisa engraçada… De onde surge, como acontece aquele “estalo” que nos diferencia dos outros?

No meu caso, foi assim: sou corinthiana desde pequenininha, minha família é da Zona Leste de São Paulo, meus avós, tios e toda a família do lado do meu pai é Corinthians. Minha mãe e a família do seu lado é Palmeiras.Corinthians x Palmeiras
Cresci vendo o meu avô paterno sentadinho comportado aos domingos vendo o Todo Poderoso jogar, e, quando estava em Rio Claro (onde hoje resido), via meu avô materno tendo seus “ataques” de descedência italiana, jogando o chinelo e almofadas na tv, xingando na língua do país em formato de bota os lances que o Palmeiras perdia.

Meu avô paterno, o grande José Horta (Vô Zeca, para as afortunadas), tinha toda uma calma, uma paciência admirável. Era brilhante, inteligente, ético, justo. Gostava de discutir política (tem uma fita de vídeo de um aniversário meu onde no fundo da cena do corte do bolo escuta-se a voz dele conversando sobre o Brizola, se não me engano, com o meu tio), de assitir Chaves na TV, de ensinar o que era certo e errado com aquela voz tranquila, aquele sotaque gostoso…

Meu avô materno, o grande João Sartori (Vô Quico, para os 5 pirralhinhos felizes), era o avesso do Zeca. Explosivo, brincalhão, (tem uma cena, na mesma fita de vídeo que eu falei ali em cima, do meu aniversário, onde antes de me dar o beijo de aniversário o Vô Quico me rodopia, me pega no colo e faz um barulhão com um tapa no meu bumbum e se acaba de rir), falava alto, comia muito, gargalhava, ficava até tarde na loja (ele tinha uma vidraçaria na frente da casa). Gostava de falar bobagem, de ver da sacada do quarto (a casa dele era um sobrado) as pernocas das menininhas que dirigiam usando saia e ficar fazendo voz fina para fazer os netos chorarem de tanto rir.

Eu, graças a Deus, tive muito contato e muito amor pelos dois.
Cada qual, no seu momento, ajudou a moldar a minha personalidade. Por exemplo, do Vô Zeca eu reconheço em mim a seriedade, o senso de justiça, a ética. Do Vô Quico eu tenho o caráter bonachão, de sempre fazer graça, de rir de qualquer coisa.

Mas numa coisa o Vô Zeca ganhou disparado: por culpa dele eu sou Corinthiana. Embora eu assista aos jogos agindo como o Vô Quico… rs

Durante anos eu via os jogos de vez em quando, e só se era jogo importante. Via para poder ficar perto do meu pai (não dá para descrever esse personagem aqui… Falo dele num post específico), prestando atenção nas regras que ele tentava me explicar (não adianta, Pai… Impedimento quem me ensinou foi o Casagrande mesmo…), achando graça quando ele insistia em ver o jogo na tv sem áudio e ouvir pelo radinho de pilha.

O tempo passou, meu pai perdeu um pouco de interesse no futebol, perdi meu avô materno, perdi meu avô paterno e esse meu amor pelo time só aumentou.
Devo o crédito desse aumento por conviver de perto, durante um tempo, com um amigo que é torcedor fanático, que grita, chora e fica bravo quando perde, que tem tatuado uma homenagem à esse amor (ele, como eu, aprendeu a ser Corinthiano por culpa da genética). Aliás, foi ele quem me deu a idéia de fazer um post enaltecendo a importância do avô nessa torcida fanática, e ele nem sabia dessa nossa coincidência.   Além dele, tenho outras amizades que compartilham o mesmo sentimento que eu tenho, que dividem as cervejas, alegrias e frustrações nos dias de jogo e que fazem todo o espetáculo ter muito mais graça.

Corinthians do meu coração – Toquinho

“És grande no esporte bretão,
o passado ilumina tua história,
Ciente da tua missão,
vitória, vitória, vitória.
Corinthians do meu coração,
Tu és religião de janeiro a janeiro,
ser corinthiano é ir além, de ser ou não ser o primeiro,
ser corinthiano é ser também, um pouco mais brasileiro.

Tens a tradição,
de um clube tantas vezes campeão,
pelos teus rivais temidos,
pela tua fiel, querido.
ser corinthiano é ir além, de ser ou não ser o primeiro,
ser corinthiano é ser também, um pouco mais brasileiro.”

Olha eu ae!

Agora, uma coisa que eu acredito é que devemos viver a nossa vida, e principalmente, as nossas paixões com plenitude. Se você gosta de futebol, torça, grite, surte. Se gosta de ler, devore uma biblioteca inteira. Se gosta de música, converse em ritmo, pense em formato de partitura.
Viver tem de ser sem restrições. Não há limite saudável para isso…

Beijos para todos!!!

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