Hoje eu trouxe almoço para o trabalho e depois de comer ví que a minha pasta de dentes tinha acabado. Como o mercado fica perto mas estava um sol do caramba, peguei meu carro e fui até lá.
Parei numa vaga que tinha um resquício de sombra e assim que desci do carro meus ouvidos foram violentados por um rap que saía nos mais altos decibéis de um carro parado perto do meu, com dois maninhos e uma mina encostados e conversando.
Entrei no mercado, pedindo para Santa Tereza da Bicicletinha que os meus bens materiais e o carro em si estivem no mesmo lugar e no mais perfeito estado quando eu retornasse.

Fiz as minhas compras, paguei (que exemplo de cidadã) e me dirigi até a vaga onde o meu automóvel descansava aos pés de um arbusto. Entrei no carro, verifiquei que estava tudo no mesmo lugar – pneus, limpador de para brisa, step e o motor – e comecei a manobrar para sair da vaga. Como estava calor, abri o vidro bem a tempo de ouvir o ser humano (?) que estava ouvindo o rap comentar, aos risos:
“- Mulé no volante. perigo constante, mano!”

Olhei para o cidadão (?) e pude reparar que trajava bermudão, camiseta branca com escritos indecifráveis, boné, tênis e uma jaqueta de moleton (já falei que estava calor, né?), além de um indefectível óculos espelhados – a venda em qualquer camelô perto de você, antes que o rapa recolha, lógico.

Lembrei-me que trata-se de uma segunda feira, perto das 13 horas e que de três pessoas (?) paradas num estacionamento de mercado ouvindo música (?) não é possível se esperar qualquer coisa melhor que um comentário inteligente e novo desses.
E então cheguei a conclusão de que sim, eu atirei pedras na Santa Cruz e sim, no final da parábola realizada pela citada rocha atingi o meio da testa do Homem.
Eu mereço…

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