Marquei, enfim, consulta com o meu oftalmo. Perdi a receita que ele me deu da última vez (não sei como eu ainda não perdi a cabeça) e estava sentindo falta dos meus óculos.
Ir ao oculista é uma coisa que mexe comigo. Me deixa confusa e tímida. Explico:
Logo na chegada já passamos por uma experiência que nos proporciona uma sensação de aflição: aquele colírio para dilatar as nossas pobres pupilas. Duas gotas em cada olho e pronto: já não se enxerga mais nada.
Depois de um tempo de total frustração ao se dar conta de que é impossível ler qualquer revista (a não ser, claro, a Caras, que só tem foto de castelos), somos encaminhados para uma sala de exames, onde o doutor nos coloca atrás de um aparelho um tanto estranho e lá na frente tem um cartaz com algumas letras.

“- Fernanda, olha lá no cartaz e me fala: fica melhor assim (mexe na graduação do aparelho) ou assim (mexe de novo)?”
” – Hum… acho que assim”
” – Assim (mexe) ou assim (mexe de novo)?”
” – Não, não… Acho que o anterior”
” – Esse (mexe) ou esse (adivinha? mexe de novo)?”

O problema é que ele insiste e continua mexendo na graduação e enquanto ele me pergunta se estava melhor daquele jeito ou do primeiro que vimos, eu me sinto completamente inepta para responder, uma vez que não me lembro como era a primeira lente.
Como eu acho chato pedir pra ele ficar voltando todas as lentes, acabo achando que a última é sempre a melhor, mas não sei ao certo se aquela letrinha no cartaz era um “A” ou um “W”. Coisas da vida.
Como se não bastasse o desconforto, me conduz até uma mesinha, ele senta-se de um lado e eu do outro, encaixo o meu queixo e a testa em outra maquininha e estamos próximos o suficiente para um beijo, quando ele acaba com o nosso pseudo clima para acender uma luz azul bem no meio do meu olho, acabando com tudo e me deixando com ainda mais dificuldade para enxergar.

Acabam os exames, enfim, sentamos na outra mesa e ele prenche a receita. Saio da consulta me sentindo confusa (“será que a lente anterior não era melhor???”), completamente lesada por não conseguir enxergar e claro, com os bolsos vazios do tão suado vil metal.

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