Minha mãe sempre foi uma pessoa muito artística. Ligada com artesanato, pintava quadros, fez topiaria, arranjos florais, bichos de pelúcia, ráfia, mosaico, pintava telhas e as transformava em porta-chaves, enfim…

Certa vez ela fez um curso em São Vicente (acho), eu era bem pequena. O curso era de acrílico, e para ilustrar como a coisa funcionava, o professor usou um molde de buda e fez em rosa.
No final do dia eu fui com o meu pai buscar a mãe no curso e enquanto ela tirava dúvidas com o professor eu e o pai ficamos vendo os trabalhos que estavam expostos lá. Quando o papo acabou, o professor veio conversar com a gente e me deu o budinha, disse que era para eu colocar ele em um pratinho e deixar sempre moedas e notas de dinheiro para dar sorte, além de uns grãos de arroz (porque ele é gordinho, né).

Durante muitos anos eu deixei esse budinha rosa, trasparente, sentado num píres em cima de um monte de notas de dinheiro velho, umas moedinhas aqui e outras acolá, uns grãos de arroz pra matar a fome dele (Pô, ele tá me dando sorte, deve dar fome isso).

Os anos passaram e com ele, passou também o meu cuidado com o budinha. Tinha até esquecido da existência dele, de toda essa história, enfim… Como nós mudamos de casa, muita coisa que estava perdida ressurgiu como um milagre e dentro de uma das caixas lá estava ele, gordo, rosa-transparente e sujinho: meu budinha!!!

Vou recolocar ele no píres, com bastante arroz e dinheirinhos para me dar sorte!

Beijos para todos e… voltei!

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