Poucas coisas são tão complicadas na vida quanto começar de novo, arregaçar as mangas e seguir em frente depois de um momento de dificuldade.
Dei um pause no blog porque o meu avô paterno teve uma piora considerável no seu estado de saúde e no dia 08/01 ele acabou falecendo. Foi um choque para todo mundo, mas ninguém pode falar que não estava esperando que isso viesse a acontecer.

A 3 anos meu avô passou por uma cirurgia no coração e durante o procedimento ele sofreu um derrame que o deixou numa cama, sem falar, andar e incapaz de fazer qualquer coisa sozinho, dependendo de todos para tudo.

O senhor José Horta sempre foi um homem independente e ativo, do tipo que não consegue ficar parado, está sempre ajudando os vizinhos e familiares (de trocar lâmpada a pintar a casa do compadre, de levar a comadre no médico a passear com o cachorro do vizinho) e fazia isso com o coração, sem esperar de ninguém qualquer tipo de retribuição.

Aprendi com o meu avô a ser digna, trabalhadora, honesta. A ser corinthiana, a gostar de Chaves, a assistir futebol na TV. A ajudar as pessoas mais velhas, a tirar o prato da mesa e ajudar na cozinha depois do almoço.

Não sei se falei o suficiente, mas demonstrei com meus atos o quanto eu o amo.
E é exatamente o amor que mais tem me feito sofrer. O falecimento, a falta que o físico dele faz corta o coração, mas o sofrimento da minha avó corta a alma.

Acho que eles formaram um dos casais mais lindos que eu já ví, até o final se trataram com amor e respeito, com um costume lindo de dar três “selinhos” seguidos na hora de acordar e antes de dormir, depois do problema de saúde eles se entendiam só por um olhar… Mais de 50 anos de casados, o amor da vida um do outro e agora – não sei se bem ou mal – o Alzheimer faz com que minha avó se esqueça de que ele faleceu.

Que Deus dê ao meu avô luz, à minha avó força e serenidade e à todos os que ficaram e estão sofrendo com essa separação (momentânea, sei que estaremos juntos num futuro) acalento.

Um beijo para todos.

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